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Agricultura urbana no entorno da CEASA -PE

Trata-se de uma experiência de horticultura intensiva realizada no perímetro urbano de Recife, Pernambuco, em propriedade federal com espaços não edificáveis sob linhas de alta tensão de energia. Esta área vem sendo historicamente ocupada por populações do interior do estado de Pernambuco e moradores e trabalhadores que vivem nas redondezas. Estas hortas encontram-se sob jurisdição do órgão federal responsável pela infra-estrutura de transporte- DNIT. Como as hortas encontram-se próximas do CEASA-PE, em 2009, o DNIT passa a administração da área para a instituição. Em parceria 2008 a Central inicia a implantação do Projeto Hortas Comunitárias do CEASA. Apesar das ações desenvolvidas pelo estado para o fomento da agricultura urbana à nível federal, e do acompanhamento aos agricultores periurbanos realizado a partir do Projeto supracitado, percebe-se um processo evidente de invisibilidade destes agricultores que desde os anos de 1950 ocupam e trabalham na área. Da mesma forma, há um processo de resistência por parte destes agricultores que surgiram e consolidaram-se em paralelo à expansão do Centro de Abastecimento e ao próprio processo de urbanização do perímetro urbano.

Atividades de assistência técnica e extensão rural ao grupo de agricultores autônomos do entorno da CEASA - PE foram iniciadas em maio de 2013, pela CEASA, e vem sendo realizadas até hoje. Neste período foram executados o I Encontro entre Agricultores Agroecológicos e Periurbanos no CEASA e a I Oficina sobre Agricultura Ecológica e Associativismo, além de práticas em campo para confecção de defensivos alternativos e biofertilizantes, produção de uma unidade experimental e inicio do redesenho de algumas hortas, apresentados mais adiante. As atividades de campo acontecem 3 dias por semana, além de reuniões esporádicas com os agricultores, quando julgadas necessárias por todos os integrantes. Os agricultores não estão organizados em associação. Alguns se referiam a uma antiga associação, a ASPAC (Associação dos Pequenos Produtores horta do CEASA), no tempo em que as terras pertenciam ao Ministério da Agricultura (MAPA). No entanto, segundo os relatos, a associação não saiu do papel. Os agricultores não têm muitas informações acerca do universo institucional da agricultura familiar (sobre PRONAF, PAA, PNAE etc.), nem aproximação com outras associações de agricultores organizados. A primeira atividade realizada para troca de experiências com outros grupos foi o I Encontro entre Agricultores Periurbanos e Agricultores do Assentamento Chico Mendes de Paudalho - PE e da Associação do Imbé e Marrecos de Lagoa de Itaenga - PE. Estes agricultores são produtores de produtos orgânicos comercializadas em feiras agroecológicas da região.

A primeira atividade diz respeito a uma reunião com 22 agricultores que demonstraram interesse em participar, programando assim um plano de ações. As atividades de campo aconteceram após concluirmos um DRP (Diagnóstico Rural Participativo). Os resultados do DRP apontaram para necessidades estritamente relacionadas a recuperação do solo e a melhoria da produção. Os desejos indicados no DRP foram: esterco bom, estruturação dos barracos e assistência técnica

Nas reuniões seguintes, discutiu-se sobre a agricultura familiar, apresentando o que é uma associação informal; o que é uma associação formal; a diferença entre associação e cooperativa; a estrutura que as compõem; os benefícios do trabalho em conjunto; e a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Foram priorizados temas como o ataque das lavouras de quiabo por cochonilhas e problemas de ordem social e estrutural (políticas públicas e estruturação dos barracos). Assim, foram trabalhados temas como a inserção de novas práticas de manejo e a necessidade de envolvimento de outras entidades estatais para resolução dos problemas. As reuniões envolveram a utilização de ilustração, vídeos e exposição oral, uma vez que se juntaram agricultores escolarizados e não escolarizados. Exibiu-se vídeos sobre cultivos protegidos, produção de biofertilizantes e caldas e realizou-se uma roda de diálogo para discutir a viabilidade de realizar essas práticas na horta

Durantes as reuniões também foram apresentados os resultados das análises físico-químicas de água e solo, e a importância de cada elemento analisado. Os resultados proporcionaram o entendimento de que o solo está carente de todos os principais elementos nutricionais para as plantas.

Uma iniciativa frustrada foi a formação de um grupo representativo dos agricultores, cujo objetivo era fazer a comunicação dos agricultores com a coordenação e auxiliar a assessoria técnica do CEASA/PE.O.S em manter a organização da área. Os integrantes do grupo seriam eleitos pelos próprios agricultores, sendo composto por, pelo menos, um representante por alça. Além disso, esse grupo seria protagonista em emitir as informações e conhecimentos repassados pelas extensionistas. As alças rodoviárias são extensas, o que limita a convivência entre vizinhos mais próximos e o fato dos mesmos não disporem de um espaço físico para se encontrar e discutir os interesses de todos. Assim, esta iniciativa foi problemática, pois sem a intermediação dos técnicos, o grupo de representantes se dispersou. Por outro lado, comparecem com frequência as reuniões no CEASA.

Orientando-se por rês níveis elementares no processo de conversão de uma agricultura convencional para uma agricultura sustentável de Gliessman, iniciou-se uma unidade experimental de alternativas de hortaliças em cultivo protegido.

Através de mutirões, realizou-se a preparação de biofertilizantes com estercos já utilizados pelos agricultores e a fertilização das plantas. Também preparou-se caldas para controle de doenças e pragas, como a calda bordalesa que é um fungicida composto de sulfato de cobre, cal e água e a calda sulfocálcica, que é um inseticida a base de enxofre.

Por fim, propôs-se aos agricultores um acordo para fixar laços de comprometimento mútuo. Os critérios para o acordo, discutido entre os participantes foi: os agricultores serão responsáveis em auxiliar no cuidado das “bordas” das alças, zelando as cercas e beiras da BR. Em troca, a instituição forneceria os itens elencados por eles como prioridades: insumos e assistência técnica. A intenção do acordo foi diminuir a incidência de plantas espontâneas que dificultam o trabalho dos agricultores com a capina. Para isso, planejou-se uma barreira de feijão de porco (planta recuperadora do solo) e flores (para equilibrar a biodiversidade). Por conseguinte, praticou-se um mutirão para o plantio de uma barreira de flores e feijão de porco